{"id":802,"date":"2024-09-23T18:39:59","date_gmt":"2024-09-23T21:39:59","guid":{"rendered":"https:\/\/opta.siteup.dev\/taninos-aditivos-naturais-para-ruminantes\/"},"modified":"2024-09-23T18:39:59","modified_gmt":"2024-09-23T21:39:59","slug":"taninos-aditivos-naturais-para-ruminantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/opta.siteup.dev\/en\/taninos-aditivos-naturais-para-ruminantes\/","title":{"rendered":"Taninos: aditivos naturais para ruminantes"},"content":{"rendered":"<p>Os taninos s\u00e3o um grupo heterog\u00eaneo de pol\u00edmeros polifen\u00f3licos distingu\u00edveis em tr\u00eas grupos principais: taninos hidrolis\u00e1veis (THs), taninos condensados (TCs) e florotaninos (FTs). Compostos TH e TC s\u00e3o encontrados em plantas e representam as classes de subst\u00e2ncias naturais sobre as quais a pesquisa tem se concentrado devido aos seus efeitos nos par\u00e2metros da fermenta\u00e7\u00e3o ruminal, microbiota, biohidrogena\u00e7\u00e3o, precipita\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o do leite.<\/p>\n<p>Os taninos ocorrem naturalmente como compostos secund\u00e1rios das plantas e est\u00e3o presentes em muitas forrageiras consumidas por ruminantes. As plantas atuam como um reservat\u00f3rio de metab\u00f3litos especializados, provindos de metabolismo secund\u00e1rio, que as torna uma fonte renov\u00e1vel de compostos bioativos, empreg\u00e1veis de maneira diferente para a sa\u00fade e o bem-estar animal.<\/p>\n<p>Os compostos secund\u00e1rios das plantas s\u00e3o mol\u00e9culas biologicamente ativas n\u00e3o envolvidas em processos bioqu\u00edmicos prim\u00e1rios, como crescimento, desenvolvimento e reprodu\u00e7\u00e3o de plantas. A maioria desses compostos possuem atividade biol\u00f3gica sobre os microrganismos, afetando sua taxa de crescimento, como tamb\u00e9m causam efeitos em processos metab\u00f3licos animais, como \u00e9 o caso dos taninos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"287\" src=\"https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/taninos-1024x287.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1782\" srcset=\"https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/taninos-1024x287.png 1024w, https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/taninos-300x84.png 300w, https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/taninos-768x216.png 768w, https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/taninos-1536x431.png 1536w, https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/taninos.png 1945w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Figura 1.<\/strong> Classifica\u00e7\u00e3o dos Taninos e Precursores Principais de Cada Subclasse (FORMATO <em>et al<\/em>, 2022).<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Conforme a figura 1, os taninos hidrolis\u00e1veis s\u00e3o compostos polifen\u00f3licos que podem ser hidrolisados em presen\u00e7a de \u00e1gua, produzindo \u00e1cidos fen\u00f3licos e a\u00e7\u00facares. S\u00e3o formados principalmente por \u00e1cido g\u00e1lico ou \u00e1cido el\u00e1gico e a\u00e7\u00facares. Os taninos condensados, tamb\u00e9m conhecidos como proantocianidinas, s\u00e3o formados pela condensa\u00e7\u00e3o de flavonoides, especificamente catequinas e epicatequinas, e n\u00e3o s\u00e3o hidrolisados na presen\u00e7a de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Os estudos acerca dos extratos e metab\u00f3litos secund\u00e1rios de plantas (taninos, \u00f3leos essenciais, saponinas, flavonoides) na dieta de ruminantes permeiam a necessidade de se utilizar compostos para controlar popula\u00e7\u00f5es microbianas espec\u00edficas, a fim de modular a fermenta\u00e7\u00e3o ruminal. Desta forma, s\u00e3o alternativas naturais de grande potencial que visam aumentar a produtividade da pecu\u00e1ria e reduzir poluentes ambientais, como metano (CH4) e CO2, f\u00f3sforo e nitrog\u00eanio em esterco.<\/p>\n<p>Portanto, o enfoque das pesquisas frente ao uso dos taninos est\u00e1 na tentativa de elucidar os efeitos sist\u00eamicos da suplementa\u00e7\u00e3o nos ruminantes, pois a literatura apresenta uma diversidade de resultados dependendo do tipo, quantidade consumida, estrutura do composto, peso molecular e estado fisiol\u00f3gico da esp\u00e9cie que o consome. Dentro das vari\u00e1veis que influenciam diretamente os resultados sobre o desempenho dos animais e possibilidades do uso de taninos, como forma de oferta, doses e apresenta\u00e7\u00e3o do produto (l\u00edquido, micro encapsulado, estrutura da mol\u00e9cula), este artigo traz algumas considera\u00e7\u00f5es apresentadas na literatura cient\u00edfica sobre o uso de taninos na alimenta\u00e7\u00e3o de ruminantes.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Taninos e a modula\u00e7\u00e3o da microbiota ruminal<\/strong><\/h3>\n<p>Para compreendermos sobre a a\u00e7\u00e3o dos taninos no r\u00famen, primeiro \u00e9 necess\u00e1rio relembrar quais microrganismos comp\u00f5em a comunidade bacteriana de um ruminante. Esta composi\u00e7\u00e3o depende diretamente da esp\u00e9cie, do tipo e da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e\/ou frequ\u00eancia da dieta. Em todos os ruminantes, as bact\u00e9rias pertencem aos filos Firmicutes, Bacteroidetes, Proteobacteria, Fibrobacteres e, em um n\u00famero reduzido, a Tenericutes e Actinobacteria. A classifica\u00e7\u00e3o delas geralmente leva em conta os substratos alimentares relativos, de forma que se pode distinguir entre bact\u00e9rias celulol\u00edticas, amilol\u00edticas, proteol\u00edticas, lipol\u00edticas, metanog\u00eanicas, sacarol\u00edticas, taninol\u00edticas, pectinol\u00edticas, ureol\u00edticas, acetog\u00eanicas e acidog\u00eanicas.<\/p>\n<p>As tr\u00eas principais bact\u00e9rias celulol\u00edticas encontradas em vacas e outros ruminantes s\u00e3o Fibrobacter succinogenes (Gram-), Ruminococcus flavefaciens (Gram+) e Ruminococcus albus (Gram vari\u00e1vel), cujos produtos finais da fermenta\u00e7\u00e3o consistem principalmente em acetato, butirato, propionato e CO<sub>2<\/sub>. As esp\u00e9cies pectinol\u00edticas mais importantes no metabolismo bovino s\u00e3o Lachnospira multiparus, capaz de reduzir pectina a oligogalacturon\u00eddeos fornecendo uma grande quantidade de acetato, Prevotella ruminicola e Butyrivibrio fibrisolvens. As bact\u00e9rias proteol\u00edticas no r\u00famen, a exemplo da Clostridium, Bacilli e Proteobacterias, quebram prote\u00ednas em pept\u00eddeos menores e os exemplares lipol\u00edticos s\u00e3o, por exemplo, as bact\u00e9rias Anaerovibrio lipolytica e Butyrivibrio fibrisolvens. Outros microrganismos comp\u00f5em a comunidade bacteriana: protozo\u00e1rios e os fungos anaer\u00f3bicos, que s\u00e3o importantes pois est\u00e3o envolvidos na degrada\u00e7\u00e3o dos componentes lignocelul\u00f3sicos.<\/p>\n<p>As arqueias metanog\u00eanicas constituem a maior parte da comunidade de metan\u00f3genos na maioria dos ruminantes, onde a pesquisa tem voltado sua aten\u00e7\u00e3o para compreender como uma poss\u00edvel interven\u00e7\u00e3o na dieta e a rela\u00e7\u00e3o com outros microrganismos podem modificar as emiss\u00f5es de CH<sub>4<\/sub>. Os exemplos de g\u00eaneros produtores de metano s\u00e3o Methanobacterium, Methanobrevibacter, Methanosphaera e Methanothermobacter.<\/p>\n<p>O metano surge da fermenta\u00e7\u00e3o do alimento no r\u00famen (87\u201390%) e no intestino grosso (10\u201313%) dos ruminantes pela a\u00e7\u00e3o das arqueias metanog\u00eanicas. Os metan\u00f3genos reduzem o CO<sub>2<\/sub> a CH<sub>4<\/sub> usando hidrog\u00eanio durante a \u00faltima fase da fermenta\u00e7\u00e3o microbiana no r\u00famen. Sob a perspectiva de redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de metano, os taninos, por sua vez, podem atuar direta ou indiretamente no r\u00famen. A a\u00e7\u00e3o indireta se deve aos seus efeitos de redu\u00e7\u00e3o da degradabilidade do material vegetal. O efeito direto ocorre sobre microrganismos metanog\u00eanicos, inibindo sua atividade. Al\u00e9m disso, podem reduzir a acessibilidade dos metanog\u00eanicos ao H\u2082 ao favorecer o aumento do propionato, um precursor gluconeog\u00eanico, cujo caminho de fermenta\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio de outros AGVs, n\u00e3o leva \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio. Portanto, a diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de metano pelo uso de extratos vegetais ricos em taninos pode ser justificada por uma redu\u00e7\u00e3o ou inibi\u00e7\u00e3o direta na popula\u00e7\u00e3o de protozo\u00e1rios e\/ou de metanog\u00eanicos, inibi\u00e7\u00e3o da atividade de enzimas fibrinol\u00edticas, digestibilidade dos alimentos e altera\u00e7\u00f5es nos perfis de AGVs (\u00e1cidos graxos vol\u00e1teis) dos quais est\u00e3o envolvidos em diferentes vias metab\u00f3licas e podem levar a efeitos macrosc\u00f3picos no animal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os taninos possuem afinidade para se ligarem \u00e0s prote\u00ednas alimentares e, assim, podem reduzir a degrada\u00e7\u00e3o proteica excessiva no r\u00famen e elevar a disponibilidade para absor\u00e7\u00e3o no intestino dos ruminantes. Prote\u00edna em excesso na dieta dos ruminantes, consumida atrav\u00e9s de pastagem ou dietas desbalanceadas, \u00e9 degradada em am\u00f4nia no r\u00famen e, pelo menos em parte, n\u00e3o \u00e9 utilizada pelos microrganismos. A am\u00f4nia precisa ser metabolizada no f\u00edgado e \u00e9 excretada, em grande parte, como ureia facilmente vol\u00e1til atrav\u00e9s da urina. Assim, o excesso de prote\u00edna nas dietas dos bovinos \u00e9 um fardo para o metabolismo e para o meio ambiente.<\/p>\n<p>Desta forma, suplementos alimentares que proporcionem o efeito desejado sobre a redu\u00e7\u00e3o da prote\u00f3lise no r\u00famen e maior disponibilidade desta prote\u00edna no abomaso s\u00e3o alternativas vi\u00e1veis e promissoras, como \u00e9 o caso do extrato da castanheira (<em>Castanea sativa<\/em>), que \u00e9 composto principalmente por taninos hidrolis\u00e1veis. Em um ensaio in vitro, foi observado que o extrato de castanha reduz a degrada\u00e7\u00e3o proteica ruminal sem influenciar a s\u00edntese de prote\u00edna microbiana. In vivo, pesquisadores constataram que a suplementa\u00e7\u00e3o com extrato de castanha reduziu as perdas de N e as emiss\u00f5es de metano do esterco das vacas leiteiras. Concomitantemente, a produ\u00e7\u00e3o de leite n\u00e3o foi negativamente afetada e n\u00e3o foram relatados efeitos t\u00f3xicos ou diminui\u00e7\u00e3o da ingest\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o em vacas leiteiras.<\/p>\n<p>Uma forma de avaliar o efeito dos taninos \u00e9 atrav\u00e9s dos derivados de purina na urina, que permitem estimar a quantidade de prote\u00edna microbiana do r\u00famen produzida e digerida no duodeno, pois eles se originam principalmente dos \u00e1cidos nucleicos microbianos do r\u00famen e seus derivados. As concentra\u00e7\u00f5es e excre\u00e7\u00e3o de N urin\u00e1rio em ruminantes dependem em parte da quantidade de am\u00f4nia formada no r\u00famen, que aumenta com o excesso de prote\u00edna dispon\u00edvel na dieta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta de energia. Com a redu\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o proteica no r\u00famen, outros efeitos podem ser observados, entre eles est\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o da excre\u00e7\u00e3o de N no meio ambiente, supress\u00e3o de parasitas intestinais, melhoria nas respostas imunol\u00f3gicas, na efici\u00eancia reprodutiva e ligeiro aumento na produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/p>\n<p>Na literatura, a resposta biol\u00f3gica da intera\u00e7\u00e3o dos taninos com a microbiota est\u00e1 no n\u00edvel de dose considerado. Os extratos hidroalco\u00f3licos de castanha (Castanea spp.), sumagre (Rhus typhina), mimosa (Mimosa tenuiflora) e quebracho (Schinopsis balansae), todos suplementados na dosagem de 1 mg, inibiram metan\u00f3genos, enquanto que em diferentes doses exerceram comportamentos diferentes contra Fibrobacter succinogenes, Ruminococcus flavefaciens e fungos anaer\u00f3bicos.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Taninos: palatabilidade e concentra\u00e7\u00e3o na dieta<\/strong><\/h3>\n<p>Os taninos est\u00e3o presentes na dieta dos bovinos h\u00e1 milhares de anos, desde que as plantas desenvolveram esse mecanismo de defesa contra predadores e microrganismos. Um fato interessante sobre isso \u00e9 que, apesar de estarem presentes na dieta dos bovinos a tanto tempo, seus efeitos sobre os bovinos leiteiros n\u00e3o est\u00e3o completamente elucidados, existindo uma grande variabilidade nos resultados de experimentos testando diferentes n\u00edveis de inclus\u00e3o de taninos nas dietas.<\/p>\n<p>Grande parte das pesquisas relatam que os taninos em sua forma pura podem causar o desenvolvimento de avers\u00e3o condicionada aos alimentos devido ao seu sabor adstringente. Portanto, um ponto importante a se levar em considera\u00e7\u00e3o no momento da oferta de taninos aos animais \u00e9 como ele ser\u00e1 ofertado. Esse efeito de avers\u00e3o a alimentos ricos em taninos est\u00e1 relacionado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas ricas em prolina (PRP) na saliva que s\u00e3o capazes de se ligar aos taninos da dieta para inativ\u00e1-los. \u00c9 a liga\u00e7\u00e3o dessas prote\u00ednas com os taninos que produz o sabor adstringente e subsequente desenvolvimento de avers\u00e3o aos alimentos. Bovinos e ovinos s\u00e3o desprovidos de PRP, portanto a diminui\u00e7\u00e3o da ingest\u00e3o de mat\u00e9ria seca devido ao mecanismo de sabor adstringente associado aos taninos pode n\u00e3o ocorrer em ovinos e bovinos. No entanto, outras prote\u00ednas est\u00e3o presentes na saliva de bovinos alimentados com dietas ricas em taninos, que t\u00eam alta afinidade por taninos, mas n\u00e3o s\u00e3o ricas em prolina; essas prote\u00ednas salivares tendem a formar complexos tanino-prote\u00edna.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a composi\u00e7\u00e3o da dieta influencia diretamente no comportamento dos taninos no trato gastrointestinal, sendo relatado entre diversos autores que os resultados ou o desenvolvimento de efeitos de avers\u00e3o \u00e0s dietas e redu\u00e7\u00e3o do consumo de mat\u00e9ria seca dependem da forragem ou concentrados utilizados. Em vacas em per\u00edodo de lacta\u00e7\u00e3o, por exemplo, que consumiam <em>Lotus corniculatus<\/em> (forragem que cont\u00e9m taninos) apresentaram maior ingest\u00e3o de mat\u00e9ria seca e menor excre\u00e7\u00e3o de metano por litro de leite em compara\u00e7\u00e3o com vacas alimentadas com silagem de azev\u00e9m (PUCHALA et al, 2005). Outros autores, como Woodward et al. (2001) e Carulla et al. (2005), relataram aumento na ingest\u00e3o de mat\u00e9ria seca com n\u00edveis de suplementa\u00e7\u00e3o de 2,59% e 2,50% de taninos de quebracho nas dietas.<\/p>\n<p>Quanto aos efeitos em produ\u00e7\u00e3o de leite, estudos revelaram que o efeito da precipita\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas pela ingest\u00e3o de taninos, causando a redu\u00e7\u00e3o de sua degrada\u00e7\u00e3o no r\u00famen pela popula\u00e7\u00e3o microbiana resultou em um aumento da produ\u00e7\u00e3o de leite em vacas (WOODWARD et al, 1999), cabras leiteiras (ROUISSI et al, 2006) e ovelhas (PENNING et al, 1988). Concomitantemente, diferentes doses das utilizadas pelos autores citados forneceram resultados diferentes, o que refor\u00e7a que o uso de taninos \u00e9 influenciado pela esp\u00e9cie animal, ambiente, composi\u00e7\u00e3o das dietas, tipo e doses de taninos, estado fisiol\u00f3gico dos animais, entre outros, assegurando a necessidade de acompanhamento t\u00e9cnico constante para que os resultados esperados sejam atingidos.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o fundamental ao usar extratos vegetais como aditivos alimentares \u00e9 a dosagem. A falta de padroniza\u00e7\u00e3o entre an\u00e1lises e o uso de diferentes padr\u00f5es para expressar as concentra\u00e7\u00f5es de taninos significam que compara\u00e7\u00f5es entre experimentos raramente podem ser feitas com confian\u00e7a razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>Da mesma forma que as concentra\u00e7\u00f5es dos taninos da dieta podem afetar o volume de leite produzido por ciclo, o rendimento dos componentes do leite, as concentra\u00e7\u00f5es de gordura do leite, prote\u00edna e lactose foram outros fatores avaliados por autores, sendo relatado que n\u00e3o foram afetados negativamente pela suplementa\u00e7\u00e3o com taninos. Para Aguerre et al (2010), o rendimento e a composi\u00e7\u00e3o da gordura do leite n\u00e3o foram afetados com a suplementa\u00e7\u00e3o de taninos de quebracho at\u00e9 1,8% nas dietas de vacas leiteiras, e que a concentra\u00e7\u00e3o de prote\u00edna do leite aumentou com a inclus\u00e3o de 0,45% de taninos, enquanto a suplementa\u00e7\u00e3o com 1,8% reduziu a concentra\u00e7\u00e3o de prote\u00edna do leite.<\/p>\n<p>Existem poucos estudos sobre o impacto de plantas ou extratos ricos em taninos na performance reprodutiva de ruminantes adultos. No entanto, per\u00edodos curtos de melhoria na oferta de nutrientes atrav\u00e9s de dietas contendo suplementa\u00e7\u00e3o de taninos antes e durante a reprodu\u00e7\u00e3o t\u00eam demonstrado influenciar a taxa de ovula\u00e7\u00e3o. Esses per\u00edodos tamb\u00e9m aumentaram o tamanho e\/ou o n\u00famero dos fol\u00edculos, reduziram a atresia folicular, alteraram a concentra\u00e7\u00e3o plasm\u00e1tica de gonadotrofinas e aumentaram a sensibilidade ovariana \u00e0s gonadotrofinas. Esses efeitos podem estar relacionados \u00e0s mudan\u00e7as no peso vivo e na condi\u00e7\u00e3o corporal, ingest\u00e3o de energia e prote\u00edna e absor\u00e7\u00e3o de prote\u00edna do intestino delgado (relacionada a suplementa\u00e7\u00e3o de taninos), concentra\u00e7\u00e3o plasm\u00e1tica de amino\u00e1cidos essenciais e n\u00edveis de horm\u00f4nios metab\u00f3licos plasm\u00e1ticos, especialmente insulina.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o dos taninos sobre a resposta em redu\u00e7\u00e3o de perdas embrion\u00e1rias pode estar associada \u00e0 sua capacidade de precipita\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas e sua disponibilidade no r\u00famen, pois uma grande parte da prote\u00edna diet\u00e9tica \u00e9 hidrolisada no r\u00famen em am\u00f4nia, parte da qual \u00e9 reincorporada em prote\u00edna microbiana. A am\u00f4nia excedente \u00e9 absorvida do r\u00famen e metabolizada em ureia no f\u00edgado, levando a um aumento nas concentra\u00e7\u00f5es plasm\u00e1ticas de am\u00f4nia e ureia, o que pode aumentar o n\u00famero de perdas embrion\u00e1rias precoces. De forma geral, a oferta de taninos em baixa concentra\u00e7\u00e3o tem efeitos positivos na reprodu\u00e7\u00e3o das vacas leiteiras.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, o apoio t\u00e9cnico \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para o acompanhamento do uso dos taninos, pois os efeitos em modula\u00e7\u00e3o da fermenta\u00e7\u00e3o no r\u00famen, utiliza\u00e7\u00e3o de nutrientes e o desempenho dos ruminantes provavelmente se deve \u00e0 grande diversidade nas caracter\u00edsticas estruturais e, consequentemente, na reatividade desses compostos. A sele\u00e7\u00e3o correta das dosagens \u00e9 outra quest\u00e3o importante devido \u00e0 dificuldade em selecionar concentra\u00e7\u00f5es que afetem positivamente um par\u00e2metro espec\u00edfico sem causar uma resposta negativa em outros. Conte com nossa equipe de especialistas para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o que mais se adeque \u00e0s suas realidades produtivas. 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Farmatan D tamb\u00e9m promove a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de Clostridia spp. no sistema digestivo, modelando de forma positiva a popula\u00e7\u00e3o bacteriana.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Farmatan-D.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1783\" width=\"859\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Farmatan-D.png 683w, https:\/\/optaalimentos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Farmatan-D-300x132.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 859px) 100vw, 859px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>Fique por dentro das atualiza\u00e7\u00f5es! Acesse nosso&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/feed\/update\/urn:li:activity:7020740334720593920\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LinkedIn<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os taninos s\u00e3o um grupo heterog\u00eaneo de pol\u00edmeros polifen\u00f3licos distingu\u00edveis em tr\u00eas grupos principais: taninos hidrolis\u00e1veis (THs), taninos condensados (TCs) e florotaninos (FTs). 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